Cap 1 - Parte 2
Saí rapitamente para o sofá e vi meu pai subindo a escada para o segundo andar que levava aos quartos. Minutos depois minha irmã desceu com uma espressão assustada. Como sempre ela veio em minha direção, mas desta vez não para pertubar e sim para perguntar pelo papai.Nesses mometos Aline sempre ouve as coisas com bastante atenção – na maioria das vezes ela interrompe - e por um momento, após eu ter terminado a história, ela ficou parada olhando para a grande lareira ali na sala. Olhou mais uma vez para mim e simplesmente foi embora. Talvez tenha sido impressão minha mas achei que tinha visto uma lágrima descer levemente pelos seus olhos.
Aline era uma garota forte, era bem decidida mas totalmente irritante. Pelo menos comigo.Queria entender porque meu pai não falava nada para ninguem, nem para a minha propria mãe. Não pode ter sido algo tão grave assim, ele era um homem de bem e não faria mal a uma mosca – a não ser que a dita cuja pertubasse demais.
Enfim, fui tomar meu banho tentando esquecer a conversa que ouvi na cozinha.Estava louca para que Trevor chegasse e gostaria de estar apresentável. Olhei no espelho para ver como andava minha aparência nesses dias.
Meu cabelo estava meio assanhado, mas as ondulações desciam levemente até os seios. Meus olhos verdes – herança de minha mae – brilhavam um pouco, e uma bolsinha se encontrava debaixo de cada um, meus lábios estavam meio desidratados. Meu Deus, eu estou ficando louca? Estava totalmente descuidada e iria imediatamente me ajeitar, e rápido porque o tempo estava passando.
Já eram cinco da tarde e já estava tirando a roupa para tomar uma bela de uma ducha.Em menos de 20 minutos já estava no meu quarto escolhendo uma roupa confortável. É claro que não iria me arrumar toda para o meu melhor amigo. Passei um pouco de base nas olheiras , um hidratante para os lábios e depois para o corpo.
Sentei em minha cama com edredom lilás escuro. Fiquei um minuto observando meu pequeno mundo, um mundo que era só meu. As paredes pintadas de um lilás mais claro ainda estavam em perfeita conservação, tirando um canto da parede em que escrevi “Eu amo o Trevor meu melhor amigo” quando tinha 7 aninhos, que foi o ano em que conheci Trevor quando os pais dele o levaram para minha festa de aniversário.
Pedi para que minha mãe nunca pintasse aquele cantinho.Porque era especial e me trazia muitas lembranças. Perto da janela com uma cortina branca se encontrava o meu cantinho preferido. Um sofá na cor branca, com vários travesseiros para que eu pudesse ler de dia, quando o sol, com seus raios perfeitos, passava por ali para dar luz suficiente para minha leitura.
Do outro lado do quarto havia uma mesa grande com meu notebook branco e ao lado um espaço para fazer meus deveres de casa. Por fim, no canto da parede perto da mesa tinha também minha estante preciosa com meus livros preferidos.
Ouvi a campanhia e saí rapidamente do meu devaneio. Calcei minha sandália de dedo preta e saí apressada pela escada para atender a porta. E claro, era Trevor. Um pouco mudado apenas. Seus cabelos haviam crescido um pouco fazendo com que ficasse com aquele corte surfista. Estava mais musculoso e seu sorriso continuava sereno com os dentes perfeitamente brancos.
Trevor colocou a bolsa no chão e me deu um abraço de urso me fazendo sair um pouco do chão.
Anda Trevor, entra logo, vou mostrar o quarto onde voce vai ficar.
Certo. - falou pondo a mochila novamente nas costas.
Quando estávamos chegando perto da escada minha mãe veio da cozinha para cumprimentar Trevor. Mamãe sempre dizia que eu deveria um dia pensar em namorá-lo. Só se ela estiver louca mesmo, porque o cara é meu amigo e sinceramente, só de imaginar me dá náuseas.
Não que Trevor seja feio. Ele é super gato e tal, mas é quase meu irmão. Ao lado do meu quarto tinha o quarto de hóspedes, branco com verde. O conforto se encontrava ali, de um jeito tão acolhedor que Trevor não queria mais sair da cama. Por um momento ele observou bem o hambiente.Logo após parou o olhar em mim.
Trevor? Algo errado?
Sim. - falou com uma cara triste. Fiquei assustada. Não poderia estar faltando nada ali. O que mais ele queria? Fiz algo errado?
O que Trevor? - falei engolindo em seco.
Um quadro bem grande de nós dois aqui. - falou com um sorriso travesso. Corri para a cama e me joguei em cima dele. Não tinha como, continuávamos as mesmas crianças de oito anos atrás.
Eu pensei que tinha feito algo errado. - falei olhando-o nos olhos.
Mas é claro que não Marina. - e começou a rir, aquela risada gostosa ,que nos leva a rir junto. – Você precisava ver a sua cara de assustada.
Pois se prepare por que hoje sou eu quem irei ver sua cara de assustado. - falei por fim saindo de cima dele e o puxando pelo braço. - Temos que ir jantar. Vem logo.
A janta foi maravilhosa. A conversa fluiu bem durante toda a refeição.Meu pai estava fazendo um esforço para não se mostrar tão para baixo. Me irmã fez o favor de derramar suco nas minhas pernas, talvez de propósito. Não me importei, assim que me levantei todos olharam para mim e começaram a rir. Ate meu pai. Por isso não fiquei tão zangada.
Uma novidade foi descoberta. Trevor iria para o mesmo colegio que o meu, mas não sabia se iria ficar na mesma sala que eu. Contanto que fosse no mesmo turno e pudéssemos nos ver no recreio, tudo bem para mim, não iria querer mais nada.
Minha vida não era muito social dentro dos limites da escola. Já estava fazendo o primeiro ano, eu continuava no mesmo colégio e conhecia apenas as pessoas da minha sala e poucas do segundo ano. Os professores me adoravam, mas não por ser nerd e sim porque adorava perguntar as coisas para eles. Não somente da materia, mas da vida tambem.
O professor Lucas, de matemática, era o mais receptivo. Já cheguei a contar uns segredos para ele, e ele adorava me dar conselhos. Era o melhor professor, e sempre que tirava notas baixas ele ia atrás de fazer algo por mim. Dependendo se eu estava merecendo ou não.
Após a refeição cada qual lavou seu prato e fomos direto para a cama. Fiquei um tempo no quarto com Trevor contando como tinham sido as férias – já estávamos na última semana – e sobre os problemas de casa. Trevor me alertou que o que meu pai tinha feito deveria ser grave, e que eu não demonstrasse preocupação porque no momento certo ele iria nos contar o que aconteceu.
Suas palavras me reconfortaram. Era muito bom quando eu tinha problemas e os contava para Trevor. Ele sempre sabia o que dizer, e eu me sentia sempre bem depois de seus conselhos. O peso em minha cabeça havia aliviado e eu estava preparada para dar o susto que eu estava querendo dar no Trevor.
Dei um beijo de boa-noite em sua bochecha e ele retribuiu. Fui para o quarto lentamente. Deitei na cama e esperei alguns minutos. Concerteza ele já estaria cochilando e eu iria fazer um pequena brincadeira com ele.
Assim que olhei em meu despertador e vi que eram uma da madrugada, me levantei e peguei uns lençois para levar comigo. Abri a porta calmamente para que não acordasse ninguem. Se caso minha mãe me pegasse ali, seria o fim dos tempos. Tirei minha pantufa e senti o chão de mármore gelado. Meus pelos se eriçaram. Olhei em volta, era tudo escuridão. Um arrepio passou por mim. Respirei fundo, já estava começando a ficar com medo. Dei os primeiro passos lentamente e ouvi um barulho vindo de algum lugar ali pelo grande corredor.
O segundo andar era destinado apenas aos quartos e tres banheiros – o outro se encontrava na suite de meus pais. Resolvi não dar atençao ao barulho. Nunca fui de acreditar em fantasmas ou espíritos. Sempre que pegava meu pai assistindo a filmes de terror eu saía revirando os olhos.
Porque eles iriam nos fazer mal se não podemos fazer nada com eles? Eles são só ilusões de pessoas que tem algo muito errado no cérebro. Mas mesmo não tendo medo, naquele momento eu estava com um pouco. O silencio era tao desconfortante que eu sentia arrepios e não sabia dizer porque.
Dei mais alguns passos lentamente e senti algo em meu braço. Paralisei de vez e não tive coragem nem de respirar. Prendi o ar e fiquei ali imovel esperando algo acontecer.
sábado, 5 de setembro de 2009
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