Um Sonho Pode Ser Real
(Cap. 1 - parte 1)
(30/07/09 - Julho) Olá, sei que é horrivel começar assim, meio brega até , mas tudo bem, sou Marina,moro em Uruguaiana, uma cidade não muito grande e nem muito pequena e perto da Argentina, país a qual estou louca para ir mas ainda não tive tempo.
Moro com meus pais perto da ponte Internacional de Uruguaiana, a qual gosto de vislumbrar a vista com um por-do-sol esplendido por cima do rio Uruguai. Minha mãe , Lizandra , não me deixa de jeito nenhum – mesmo fazendo fronteira – ir para a Argentina, morre de medo e não gosta nem de pensar nas coisas que poderiam acontecer comigo se eu fosse sozinha.
Estava de férias, nada para fazer, parte da semana em casa – por causa da minha mae como sempre – e esperava anciosamente o fim de semana para aproveitar um clube com meu melhor amigo, Trevor. Eu compartilhava todos os meus segredos com ele, e era com ele que eu comentava os milhares de livros que eu acabava devorando em praticamente um dia.
Vício em leitura é uma coisa que as pessoas mais proximas já estavam acostumadas. Sempre que saio, levo na bolsa um livro. Meus pais ainda não entendem porque eu leio um livro de 300 páginas em um dia. E nem eu consigo entender como sou rápida.
Estava lendo, afundada em um dos sofás gigantes da nossa sala em estilo colonial, quando minha mãe veio da cozinha me trazer uma bandeija de rosquinhas com chocolate quente. E lá estava ela, com seu cabelo preso em um coque – era dificil faze-la soltar -, vestindo um vestido de malha lilás que cabia perfeitamente em seu corpo malhado por natureza. Seus olhos verdes olhavam para mim esperando que eu me levantasse para pegar a bandeija que exalava um cheiro maravilhoso.
Peguei cuidadosamente a bandeija e sorri para ela. Recebi um beijo e ela se foi sem dizer mais nada. Minha mãe era uma pessoa meio estressada mas sabia a hora de ficar calada e me deixar um pouco em paz.Talvez ela tenha percebido que eu não estava muito feliz e preferiu me deixar quieta por alguns instantes.
Não se passaram menos de duas horas e eu já estava para acabar o livro quando o telefone tocou.Com a preguiça tomando conta do meu ser, fiz um esforço e me levantei cuidadosamente para atender o estressante telefone que tocava a alguns metros em uma pequena mesa de vidro com um livro enorme, que continha os números das pessoas mais importantes da cidade, e lugares até.
Com uma voz como quem tinha acabado de acordar, disse alô e ouvi a voz que estava aguardando esperançosamente para ouvir. Era Trevor, sua voz grossa e alegre.
- Trevor! Ai meu Deus, que saudades.
- Eu também Marina, tanto que não posso mais aguardar e já estou indo praí para ficar o resto da semana com voce.
- Mas Trevor, minha mãe...
- Não se preocupe, já resolvi tudo, até falei com seus pais antecipadamente, e sim, eles deixaram. Me disseram que voce anda meio pra baixo. - falou ele preocupado e, acho, se sentindo triste por eu estar triste.Odiava quando ele ficava com as mesmas emoções que as minhas, me sentia mal por ele.
- Sinceramente, tenho de confessar que é a pura verdade.Minha mãe não deixa eu sair de casa direito, morrendo de tédio aqui.Você precisa ver a pilha de livros que eu já li em uma semana.
- Ah não Marina. Se prepara porque não irei deixar voce encostar em nenhum desses seus livros.Vamos nos divertir.Dona Lizandra sabe que sou um menino de bom coração então não será nenhum problema sairmos por aí. - senti um sarcasmo em sua voz.
- Tá ok sabichão, se voce se acha tanto assim, quero só ver se voce vai conseguir convencer a fera. - falei sendo sarcástica tambem.
- Que tal uma aposta? Se eu conseguir, voce vai em uma festa comigo.
- Voce sabe muito bem que odeio festas. Mas vou aceitar a aposta porque sei que voce não irá conseguir. E também to precisando sair, ela não me deixa mais nem ver o por do sol na ponte.
- Pois entao me espere aí na porta, mas por favor, não me agarre bruscamente, gente importante não gosta dessas coisas.
- Não se preocupe, hoje estou meio cansada e não estarei com disposição para lhe agarrar e matar logo de uma vez. - ouvi sua risada grave e reconfortante.
- Tá certo, então um beijo, estarei ai em algumas horas.
- Um beijo. - e desliguei.
Será que era por isso que minha mãe estava tão calada? Ela estava escondendo isso como se fosse uma surpresa, e sim, era um grande surpresa. Um sorriso largo apareceu no meu rosto bem na hora em que meu pai abria a porta. Estava voltando do frigorífico onde foi comprar nossa janta. Tirou o casaco e colocou no cabide de madeira ao lado da porta. Seus cabelos pretos estavam meio assanhados e estava com a espressao meio cansada.
Ele olhou para mim, passou a mão pela barba mal feita, e sorriu também. Meu pai estava se descuidando, e não sei porque.Andava meio triste, já não fazia a barba, e havia parado de fazer academia. Uma pequena elevação crescia em seus quadris. Minha mãe tentou de diversos modos conversar com ele, mas ele não falava nada.
Fui em sua direção e o abracei com toda a força. Ele já era o contrario da minha mãe.Calmo e liberal na medida.É por isso que dizem que os opostos de atraem. Eu sorri mais uma vez e agradeci por ter deixado Trevor passar o resto da semana comigo.
- Claro filha, voce anda triste demais.Precisa sair e aproveitar enquanto é jovem.
- Parece que o senhor anda do mesmo jeito que eu. - falei com a voz fraca.
Ele apenas baixou a cabeça e foi em direção a cozinha.Fui atrás dele sorrateiramente para ouvir qualquer coisa que ele pudesse revelar para minha mãe.Me encostei na parede e apurei os ouvidos.
- Carlos, não pode mais esconder o que esta acontecendo com voce.Somos uma familia, por favor, sou sua mulher, devemos compartilhar os segredos um com o outro.Não aguento mais olhar para o homem que amo assim, para baixo.Antes era a Marina, agora voce, assim irei ficar louca.
- Não Lizandra, já disse que é horrível demais, não suportaria que voces viessem a saber da história.Não quero mais falar nisso, por favor pesso eu. Estou cansado.- minha mãe começou a chorar.
- Voce não pode fazer todos nós sofrermos... somos uma família, não tenha medo de nos dizer o que aconteceu, irei ti apoiar em tudo amor. Por acaso, tem a ver com os policiais que semanas atrás bateram na nossa porta?
- CHEGA! - ouvi uma batida na mesa como se ele tivesse dado um soco. - Não suporto mais, se estou sofrendo prefiro fazer isso sozinho, e não compartilhar com mais ninguem.E a conversa acaba aqui!







